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Introdução à História da Arte

Arte e Criatividade

O que é arte?

Pablo Picasso pegou um guidão e um assento de bicicleta e os juntou formando uma cabeça de touro. O guidão e o assento em si mesmos não são uma obra de arte. E nem o ato de juntá-los desta forma necessita de uma grande perícia técnica. Mas o resultado mostra uma incrível genialidade. O guidão e o assento sempre estiveram aí, ao alcance de todos nós, mas só Picasso viu essa associação. Picasso criou, e a arte está diretamente ligada ao ato de criação. A criação ocorreu de uma forma muito simples, com objetos absolutamente triviais, restos de uma velha bicicleta, mas “A Cabeça de Touro” é inegavelmente Arte.

Cabeça de Touro Picasso 1943 (86kb)

Cabeça de Touro

Pablo Picasso – 1943

A criativa associação de um guidão com um assento de bicicleta cria uma nova imagem. A criação pode ser simples.

 Artista, o Cientista e o Artífice

 A elaboração de um objeto, mesmo com grande perícia manual, não merece a designação de obra de arte se não estiver claro o ato criativo. Então, se um pintor realiza reproduções de grandes mestres da pintura, destinadas à decoração, mesmo que as fazendo perfeitas e absolutamente fiéis aos originais, não deverão ser consideradas obras de arte, por não exibirem o aspecto de criação. Neste caso o artista se transforma em artífice.

O Artífice só faz aquilo que é possível e tende à padronização e à regularidade, enquanto que o artista está sempre tentando procurar o impossível, o inexistente, o novo, o improvável, o inimaginável.

Existe uma grande similaridade entre o artista e o cientista. Ambos realizam o mesmo exercício básico, que é a criação. Há uma diferença entre quem inventou a Penicilina, o cientista, e quem a fabrica, o artífice. O cientista é quem receberá os créditos de seu ato criativo e não o fabricante. É claro que se não houver o artífice, não existe a penicilina para o consumo.  Não quero dizer que o artífice não tenha valor, apenas que o valor é outro, não o do criador, inegavelmente muito maior. O artista assim como o cientista cria, inventa algo, o artífice faz , produz algo que já existe. Essa definição de artista e artífice permite separar uma obra de arte de um objeto de consumo. O tosco guidão com assento de Picasso é uma obra de arte enquanto que uma bela e bem acabada escultura, produzida em série numa fábrica, para ornar jardins, não o é.

Talento e Aptidão

O Talento, a capacidade de encontrar o que ninguém conseguiu, é que define um artista. A esta capacidade também podemos chamar “Genialidade” ou “Dom”, remetendo à ação de uma doação de um ser superior. Já a Aptidão é o atributo do artífice, significa uma habilidade acima da média em fazer alguma coisa que qualquer um pode fazer. A Aptidão é algo previsível, determinado, enquanto o talento criador é absolutamente incontrolável.

O Gosto

         Ao olhar uma obra de arte não se deve fazer juízo de valor, pode-se dizer eu gosto ou não gosto, mas não dar a ela um valor. Determinar o real valor de uma obra de arte é impossível, pela própria natureza livre do processo criativo. A opinião esclarecida de muitos, o consenso, a ação do tempo e principalmente a criatividade pode esboçar um atributo de importância a uma obra de arte, mas, no entanto é um atributo sempre mutável. O “gosto” do observador, é claro, deve ser considerado, mas não é necessariamente o que determina o valor da obra. Mas o gosto pessoal, se em sua origem é algo instintivo, pode ser apurado. Para desenvolver o gosto é que é importante conhecer a história da arte.

A Obra em seu tempo

         Um outro ponto a ser considerado, talvez o mais importante, é que para conhecer a obra de arte deve-se avaliá-la em sua época. Se o tempo é hoje, o que a obra tráz de novo, de criativo, de belo? Se o tempo é o passado, o que ela significou naquele momento, de criativo e inovador?

A Catedral da Sé não é muito menos imponente que a Notre Dame, mas com uma diferença muito importante, a Notre Dame foi construída 700 anos antes.

A Arquitetura e a Engenharia praticadas na época da construção da Notre Dame não contavam com os modernos cálculos estruturais e nem com as técnicas de construção modernas. As pedras que formam as paredes da catedral foram justapostas. Esculturas foram realizadas na própria pedra, à mão, enfeitando seus pórticos. Os vitrais são únicos e iluminaram acontecimentos importantes da história. Se a Notre Dame fosse copiada e construída hoje pela engenharia moderna, o seria com grande facilidade, mas com muito aço e concreto na estrutura. As esculturas, provavelmente seriam produzidas em série, e também seriam de concreto. Conhecendo os detalhes da construção que levou séculos para ser concluída, faz o valor da Notre Dame. No entanto, não é só porque uma obra é antiga que a faz ser valorizada. A Catedral da Sagrada Família, de Barcelona, projeto de Antoni Gaudi, do início deste século, ainda nem está concluída e leva multidões á admirá-la. Os elementos de arte moderna e criativos aplicados por Gaudi fazem o novo estar presente e a difere de qualquer obra contemporânea. E uma criação não precisa ser grandiosa, é incrivelmente bela a pequena Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte , projeto de Oscar Niemeyer que foi decorada por Portinari. Portanto, o valor criativo deve ser dado em uma determinada época, quando significa um avanço sobre a época anterior. Não se pode comparar uma obra contemporânea com uma de um período anterior, onde os recursos, os conhecimentos, as técnicas artísticas, a tradição, o momento histórico, o momento intelectual são outros.

A Sagrada Família Barcelona e a Notre Dame Paris (116kb)

Catedral de Notre Dame- Paris

Catedral Sagrada Família- Barcelona

Estes maravilhosos exemplos de arquitetura são separados um do outro por 600 anos. A Notre Dame, gótica, iniciou sua construção em 1258 enquanto a Sagrada Família, de Antoni Gaudí, nem concluída está. Cada uma demonstra seu valor em seu tempo. Construir uma catedral gótica nos dias de hoje não teria o mesmo valor arquitetônico que tem a obra criativa de Gaudi. Portanto, as duas são belas e não podem ser comparadas, sem considerar o tempo que as separam.

A Obra e a Tradição

         A famosa Gioconda de Leonardo da Vinci, um quadro pequeno, num corredor do museu do Louvre, não chamaria a atenção de muitos se não fosse a aglomeração em frente a ele e a segurança intensificada, além da divulgação de mídia. Mas o que significa a Mona Lisa? Seria hipocrisia dizer que é uma obra maravilhosa sem entender seu significado. Para entendê-la precisamos conhecer as obras que antecederam o renascimento italiano. As pinturas medievais não tinham profundidade, não tinham proporções, lembravam trabalhos de principiantes das atuais escolas de arte. Apesar de realizados mil e quinhentos anos depois da perfeição dos gregos, nem de longe se lhes aproximavam em qualidade. Mas então veio Leonardo, que não comprava as tintas nas lojas, mas para obte-las estudava química e produzia cada cor com seus conhecimentos químicos e misturas obtidas de extratos de frutas e folhas silvestres. Para conseguir proporção e naturalismo se tornou um dos maiores anatomistas da história da medicina, para dar profundidade se tornou um mestre da técnica de sombras, o “chiaroscuro” que caracterizou as pinturas renascentistas. Leonardo significou um salto. Uma mudança na tradição da pintura medieval, e este salto permitiram novos saltos. Aí esta o valor da Gioconda, de novo a criatividade em análise, significando um considerável avanço. A criatividade é o principal atributo de uma obra de arte que leva ao avanço, sucedâneo do criativo, que permitirá novas criações, mantendo o maravilhoso círculo vicioso do progresso da raça humana nas artes. A Tradição pode ser entendida então como uma base sólida e segura sobre a qual se darão os novos avanços imaginativos. Assim acontece com as Artes e com a ciência, é necessário conhecer o que já existe, a Tradição, para poder avançar á partir deste ponto.

Mona Lisa e Pintura Românica (131kb)

A Mona Lisa

Leonardo da Vinci - 1503

Pintura Medieval – circa de 1200

Autor Desconhecido

O quadro de Cristo é uma pintura da idade média. Não há profundidade, não há trabalho com as cores, não há “Chiaro escuro”. Quando comparamos este tipo de pintura com “A Mona Lisa” de Leonardo da Vinci, podemos compreender a importância do Renascimento, e o maravilhoso papel de Da Vinci na História da arte. Estes dois trabalhos também ilustram que a obra deve ser estudada em seu tempo, comparando com o que existia antes, e não com o que apareceu depois.

O Público

O Público de arte pode ser classificado em três grupos. O primeiro, de especialistas, que estudam e conhecem a história da arte, é formado por professores, estudiosos e críticos de arte. O segundo, um público interessado em arte, que se informa através dos especialistas, das publicações e das mostras e podem ter um juízo crítico sensível. O terceiro, o público leigo, que aprecia a arte, mas não possui conhecimentos da tradição artística o que o impede de situar exatamente uma obra de arte, limitando-se ao “gosto” e não “gosto”, “entendo” e “não entendo”. O Público no qual o artista pensa em sua produção é o do primeiro e segundo grupo, de quem espera a aprovação ou reprovação de seu trabalho. Por isso diante dos avanços da arte moderna, como em uma Bienal , muitos dizem simplesmente, se sinceros, “Não entendi e não gostei” enquanto outros dizem “gostei” sem que realmente tenham gostado. É claro que a presença de qualquer pessoa frente a uma obra de arte, seja ela conhecedora ou não, dará ao artista satisfação, mas que fascinantes revelações se abrem ao observador, quando o mundo da história da arte é conhecido. A qualquer um é permitido atingir um estágio de conhecimento da arte, onde a observação de uma obra deixa de ser um ato estático e passa a ter o dinamismo de um diálogo com o autor.

Como ver uma obra de arte

A Interpretação Pessoal

Observar uma obra de arte é participar de uma verdadeira interação entre a obra e o observador. Está presente o mutável na obra e no observador. Uma obra transcende o artista, e pode causar emoções e conclusões inimagináveis pelo próprio autor da obra. Se o livre e criativo é um atributo do artista, o livre e criativo também é um atributo do observador. A liberdade que deve haver na opinião do observador será mais válida, se houver maior informação, sobre o trabalho em análise e sobre a tradição artística.

O Autor

Conhecer o autor e suas posições pessoais poderia ajudar à entender sua produção, mas acredito que deva existir uma separação entre o autor e sua obra. Uma vez realizada e apresentada ao público, a obra passa a ter vida própria. Um hipotético autor pode ter posições intelectuais, sociais, políticas ou atitudes inadequadas para o consenso de um lugar e de uma época, e mesmo assim apresentar uma obra que transcenda aos seus valores pessoais, e venha á ser significativa no universo artístico. É claro que a coerência, embora não fundamental, entre o autor e seu trabalho, pode trazer uma maior autenticidade no resultado.  A interação autor-obra é muito forte enquanto o processo criativo está ativo. Uma vez cessado a criação e concluída a obra, passa a dominar a interação obra-público. Neste momento a obra, passa a provocar reações na sociedade, dependentes muito mais de si própria do que do autor. Tomemos como exemplo o trabalho de Jacques-Louis David, que pessoalmente foi criticado por apoiar a ditadura sangrenta de Robespierre, na França.  David, no entanto, foi o fundador do Neoclassicismo Francês, e é considerado e aclamado por amplo consenso, como um dos maiores pintores da história. Se o homem é criticável, sua obra pode mostrar independência e atingir um conceito muito maior, dependente apenas da livre interpretação do público. Ao ser escrito um livro, pintado um quadro, composta uma música, montada uma peça de teatro, feita uma escultura, por ação do sopro divino de seus autores transformados em deuses, os novos seres assim gerados, passam a ter vida própria, seguindo um destino, como o nosso, incerto, mas, porém imortal.

David A Coroação de Napoleão (104kb)

Coroação de Napoleão

1805-1808

Jacques Louis David

Paris

David A Coroação de Napoleão detalhe (100kb)

Coroação de Napoleão

1805-1808

Jacques Louis David

Paris

detalhe

David A Coroação de Napoleão detalhe (68kb)

Coroação de Napoleão

1805-1808

Jacques Louis David

Paris

detalhe

O trabalho de Jacques-Louis David pode ilustrar a teoria de que deve haver uma separação entre o autor e sua obra. David foi criticado por apoiar a ditadura sangrenta de Robespierre, na França, no entanto, foi o fundador do Neoclassicismo Francês, e é considerado e aclamado por amplo consenso, como um dos maiores pintores da história. Nesta obra a Coroação de Napoleão de 1808, cada retratado foi pintado com sua real aparência.

O Tema

Cada Pintura tem um tema específico. Geralmente fácil de reconhecer. Falar sobre os temas eternizaria nossa discussão, porque tudo o que é real ou imaginário pode ser um tema. Podemos pedir ajuda à Semiótica, para analisar a imensa variedade de imagens e temas. A estrutura, o significado e o impacto da imagem, podem ser analisados. As linhas do desenho se combinam como sujeito e verbo em uma sentença, formando uma imagem real ou abstrata, isto define a estrutura de um quadro. O significado será diferente para cada observador. Ao analisar uma pintura mostrando a figura de Cristo, o significado será diferente para uma pessoa católica ou pertencente a uma religião não cristã. O impacto da imagem também será diferente para cada observador. Uma pintura que retrata a guerra, certamente terá um efeito maior em que já tenha sofrido os efeitos de um conflito bélico. O vasto número de temas pode sempre ser analisado utilizando a estrutura, o significado e o impacto da imagem. Se analisarmos Guernica de Picasso, como estrutura teremos as formas geométricas e duras do Cubismo, O significado é a exposição das atrocidades cometidas durante uma guerra, e o impacto é o horror que causa às pessoas pacifistas, frente às atrocidades demonstradas. É claro, que um neonazista, ou uma pessoa violenta, frente a um quadro como este poderá ter conclusões absolutamente opostas. Nem sempre é possível obter, com clareza os significados, para sentir todo o impacto da obra.  As pinturas antigas usam símbolos e sinais que estão muito presentes nos temas bíblicos e mitológicos. Este Simbolismo era mais facilmente entendido em seu tempo, quando faziam parte da formação cultural usual das pessoas. Hoje, as pessoas não estão bem familiarizadas com estes símbolos, que são representativos de épocas e lugares bem estabelecidos.  Ter contato, através da pintura clássica com a Mitologia e religiosidade antiga, pode ser muito esclarecedor. É uma viagem pelos Mitos e Inconsciente Coletivo das populações.

Guernica Picasso 1937 (68kb)

Guernica

1937

Pablo Picasso

Museu Reina Sofia - Madrid

Se analisarmos Guernica de Picasso, como estrutura teremos as formas geométricas e duras do Cubismo, O significado é a exposição das atrocidades cometidas durante uma guerra, e o impacto é o horror que causa às pessoas pacifistas, frente às atrocidades demonstradas. É claro, que um neonazista, ou uma pessoa violenta, frente a um quadro como este poderá ter conclusões absolutamente opostas

A Técnica

É a parte física de uma pintura, paredes, tecidos, madeira, tintas, vernizes são utilizados para produzir cores e espaços, perspectivas, luzes e sombras. É claro, que os materiais antigos eram muito inferiores aos dos tempos modernos, e evoluíram junto com a capacidade de criar ilusões ópticas que alteraram a noção espacial das pinturas.

As Tintas

A cor, atributo da luz, fez Van Gogh tão diferente. O uso da luz fez Vermeer um pintor extasiante, mas as tintas e materiais utilizados no passado tiveram uma história de progresso ininterrupto acompanhando o avanço humano nas artes e ciências.

As pinturas pré-históricas foram realizadas com pigmentos encontrados na natureza. Terra colorida de vermelho, amarelo e marron por ação do óxido de ferro, cal branca e carvão. Estes pigmentos primitivos eram misturados à gordura de animal e aquecidos para serem utilizados nos trabalhos. Já no antigo Egito, pigmentos de animais e plantas eram misturados com um meio, geralmente cera, ovo ou resina de arvore, que produziam tintas que, no entanto, eram pouco duradouras e desbotavam. Tintas mais perenes eram obtidas de minerais triturados, como o azul ultramarino, que vinha do Afeganistão por barco. Ainda no Egito a química começou a ser utilizada para obter cores. Em Roma, era utilizada o vermelho obtido do Cinabre, que vinha da Espanha, mais tarde o ouro também foi incorporado como material de pintura.

As tintas no passado eram muito dispendiosas, sendo considerados bens preciosos. O Azul ultramarino, que continuou a ser usado na idade média, era reservado para as figuras mais significativas da composição. O vermelho do Cinabre tinha leis próprias de comercio na Roma Clássica, tal a importância comercial que lhe era atribuída.  Na baixa idade média, começou a ser utilizada a têmpera em ovo, onde o pigmento era misturado com o ovo inteiro ou só com a gema. Enquanto as proteínas do ovo endurecem, se forma uma película durável e resistente como a casca do ovo. A tinta seca rápido, e deve ser aplicada em camadas leves, porque se for aplicada em camadas sobrepostas pode rachar. As cores não eram fáceis de misturar, por isso eram utilizadas quase puras, não havendo variação de tonalidade nos trabalhos antigos.

No Século XV surgiu a pintura a óleo, nesta técnica o pigmento em pó era misturado a um óleo de secagem lenta, como o de linhaça ou nogueira. O óleo absorve o oxigênio do ar, formando uma película transparente que aprisiona a cor na tela. A pintura á óleo pode ser feita em várias camadas sucessivas, e aplicadas de forma espessa, ou em camadas mais finas, transparentes, podendo obter vários efeitos de penetração da luz. A tinta à óleo permitia a mistura, podendo obter várias tonalidades de uma mesma cor, utilizando poucos pigmentos. O Mestre Leonardo da Vinci teve conhecimento da tinta á óleo através dos pintores flamengos, e as desenvolveu e utilizou muito. Com seus conhecimentos de química, pesquisou profundamente cores e tintas, que são únicos em seus trabalhos.

Os modernos avanços da química permitiram sintetizar as mais diversas tintas e materiais que são utilizados pelos pintores modernos. Mas é importante conhecer a dificuldade de se obter as tintas no passado, o que valoriza ainda mais as obras dos precursores da arte, que com tanta dificuldade conseguiram criar a beleza que á nós cabe admirar e preservar.

A Coroação da Virgem 1453 Enguerrand Charonton (209kb)

A Coroação da Virgem

1453

Enguerrand Charonton

Villeneuve-lès-Avignon

As cores eram muito valorizadas no passado, sendo consideradas bens preciosos.  O azul do manto da virgem é o “Azul Ultramarino”, usado desde a antiguidade clássica, e que continuou à ser usado na idade média.  Era reservado para as figuras mais significativas da composição. O vermelho é o do Cinabre que na Roma Clássica chegou a ter leis próprias de comercio tal a importância que lhe era atribuída. O amarelo neste quadro foi obtido com pó de ouro.

O Afresco

A arte minóica de Creta, mais de mil anos antes de Cristo foi a primeira a utilizar a técnica do Afresco. Os gregos e romanos deram continuidade, enquanto existem poucos exemplares conservados de afrescos gregos, os romanos, de Pompéia e Herculanum estão bem preservados. Na Índia e na China também foram encontrados exemplares.   Os mestres florentinos, Giotto e Masaccio, precursores do Renascimento reavivaram o uso desta técnica, que foi muito difundida do século XII ao XVIII, particularmente na Itália.

 Sobre uma parêde seca é aplicada várias camadas de areia, cal e água, em diferentes proporções. A tinta é aplicada sobre a última camada ainda úmida, de tal forma que reaja com a água e a cal, e enquanto a argamassa seca, as cores se revelam brilhantes e perenes. Este é o “Buon Fresco” Esta técnica foi usada por Michelângelo, na Capela Sistina. O “Secco” é uma outra técnica de afresco, onde a pintura é aplicada sobre a parede já seca, utilizando camadas adesivas. É pouco usado por não ser permanente.

No Brasil, Cândido Portinari utilizou pioneiramente a técnica de afresco para as suas espetaculares pinturas murais. O Afresco é uma verdadeira interação entre a tinta e a superfície à ser pintada, que passam à ser uma coisa só. Na idade média, a madeira era a principal superfície utilizada para pinturas, que depois foram sendo substituídas por telas. Uma outra superfície, utilizada principalmente no Império Bizantino, é o Mosaico, onde pequenos pedaços de vidro e ouro construíam as composições, que tinham como característica uma grande durabilidade. O desenvolvimento do mosaico pode ser compreendido, quando o risco de perda de cor e de qualidade das obras era uma realidade. Provavelmente as cores que vemos hoje não eram as mesmas em que as pinturas foram produzidas. Um magnífico exemplo disso são os afrescos da Capela Sistina, de Michelângelo, que foram restaurados e recuperaram as cores iniciais, vivas e brilhantes.

Teto da Capela Sistina Michelangelo (153kb)

Afrescos do Teto da Capela Sistina Restaurados

1503

Michelangelo -

Vaticano

Provavelmente as cores que vemos hoje nos afrescos antigos não eram as mesmas em que as pinturas foram produzidas. Um magnífico exemplo disso são os afrescos da Capela Sistina, de Michelangelo, que estavam escuros e desbotados.  Em um grande esforço técnico e econômico foram restaurados e recuperaram as cores iniciais, vivas e brilhantes.

O Espaço e a Luz

São inúmeras as técnicas de utilização do espaço e da luz, essa capacidade criou estilos e avanços. O principal na técnica da Renascença foi o domínio da noção de perspectiva e sombras, que deram o a perfeição da pintura desta época.

A Perspectiva

Foi um sistema desenvolvido no início do século XV por Brunelleschi, Alberti, Ucello e Piero della Francesca para representar os objetos tridimensionais em uma superfície bidimensional. O Pressuposto básico é que linhas paralelas nunca se encontram, mas elas parecem fazer isto. As linhas paralelas convergem para um ponto no horizonte conhecido por “ponto de fuga”. Em uma pintura pode existir uma perspectiva simples, em um ponto ou em dois ou mais, que dão uma visão do objeto mais complexa. Estas linhas que convergem é que dão ao objeto representado o

aspecto tridimensional. As pinturas gregas e romanas possuíam esta qualidade, que depois foi perdida na Idade Média e recuperada no Renascimento.

Perpectiva (36kb)

A perspectiva

As linhas paralelas que parecem convergir para um ponto dão a impressão de tridimensional para as imagens. Este sistema foi desenvolvido e estudado no renascimento.

O Chiaroscuro

Foi um método desenvolvido por Leonardo da Vinci, para com o uso de transição de cores e sombras criar um efeito tridimensional para os objetos retratados. Neste sistema, deve ser determinada uma posição para a fonte de luz, que irá criar um forte reflexo onde a luz incide mais diretamente e uma transição para a sombra nas partes do objeto não atingidos diretamente pela luz. Conhecer e retratar exatamente a ação da luz sobre os objetos è que darão a perfeição da obra. Leonardo foi o mestre desta técnica, também utilizada por Rafael e que atingiu um máximo com Caravaggio, que conseguia além da perfeição técnica na reprodução de retratos, criar uma atmosfera tensa e fantástica.

Chiaroscuro (5kb)

Chiaroscuro

Outro método para conseguir realismo nas imagens, utilizando os efeitos de luz e sombra.

 

A Chamada de São Mateus Caravaggio 1599 (63kb)

A Chamada de São Mateus

Caravaggio

1599

Capela São Luis
 Roma

A pintura de Caravaggio, o impressionante uso do Chiaroscuro.

 

 

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